Erros e acertos na estrada para Mordor

Nossa trilha anual nas montanhas foi semana passada. É sempre uma ótima oportunidade para se desconectar do mundo e tirar boas fotos. Neste ano, fomos para os Tatras Altos, atingindo altitudes entre 1500 e 2500 metros.

Hoje escreverei sobre a expedição em si e certos erros que cometi (e alguns acertos). Futuramente, elaborarei mais e escrevei um artigo específico sobre a escolha do equipamento.

Nikon D850, AF Nikkor 50mm f/1.8D, exposição 1/320, ISO 64, compensação -0.3, abertura f/7.1

Foi uma semana difícil, de trilhas longas e grande diferenças de elevação. Cada grama pesa e, depois de alguns dias, você percebe que está carregando quatro mochilas: nas costas, o estômago e as pernas. Imagine carregar quilos de mochila nas costas tentando escalar uma pedra debaixo de sol apino a 2500m após uma noite de infecção alimentar. Diversão garantida.

Erro (potencial) número 1: não pesquisar profundamente sobre o lugar

Ano passado e retrasado, nossas trilhas foram por serras abertas, com longas distâncias percorridas em terreno plano entre os pontos de interesse.

Tatras Altos vistos dos Tatras Baixos – Nikon D7000, AF-S DX Nikkor 18-105 f/3.5-5.6 VR, HDR processado no Aurora HDR 2018
(a cordilheira no horizonte foi a que percorremos neste ano)

Eu presumi que, neste ano, seria a mesma coisa. O problema foi que… não. Estávamos imersos em vales com 500 metros de montanha a menos de 500 metros da nossa posição.

Não pesquisar sobre o destino não é sempre um problema. Muitos preferem a espontaneidade de ir a um lugar sem conhecê-lo, para evitar tirar fotos clichê.

De qualquer forma, o meu primeiro erro me levou ao segundo:

Erro número 2: escolha porca de equipamento

Ano passado, eu viajei com a 24-120 f/4 que veio com a minha Nikon D850. A 24-120 é uma lente incrivelmente versátil mas, na época, eu já suspeitava que ela não fazia jus ao sensor da D850.

Eu acabei vendendo a 24-120 e me estabelecendo com o trio 14-24, 50mm e 135mm. Qualquer lente 50mm estará entre as mais nítidas na mochila de qualquer fotógrafo. Então eu pensei que, qualquer coisa, é só cortar a foto, já que a D850 tem resolução de sobra.

Recorte 100% de uma imagem da D850 com a AF-Nikkor 50mm f/1.8D. Observem o detalhe do cabo de aço.

Como eu esperava paisagens distantes e queria viajar leve (uma ótima ideia em retrospectiva), resolvi viajar só com a 50mm. Estava despreparado para as paisagens “na cara” que a cordilheira nos apresentou.

Panorama feito com um iPhone Xr

O iPhone quebrou o galho. Eu não gosto muito das cores dessa foto, mas foi o que saiu do telefone.

Panoramas ajudam a colocar toda a paisagem na foto, mas não dão a mesma ideia de grandiosidade e de estar no meio do lugar como a 14-24mm daria. As montanhas no horizonte são muiot maiores e estão bem mais perto do que parecem estar na foto do iPhone.

Subiu? Agora precisa descer! – iPhone Xr

Erro número 3: não levantar cedo o suficiente

Viajar em grupo é seguro, mas é complicado. Não importa quantas promessas sejam feitas, o grupo sempre é sempre tão rápido quanto o membro mais lento. Eu consegui fotos boas, mas a vida teria sido melhor se eu não tivesse sido o único fotógrafo do grupo. As fotos abaixo foram tiradas com meia hora de diferença.

Seis e quinze – Nikon D850, AF-Nikkor 50mm f/1.8D, exposição 1/100, ISO 80, f/7.1, compensação -0.3
Seis e quarenta e cinco – Nikon D850, AF-Nikkor 50mm f/1.8D, exposição 1/250, ISO 64, f/7.1, compensação -0.3

A luz mais fraca da manhã exigiu exposição mais longa. Mas, na montanha, assim que o sol sobe, a umidade forma núvens e o dia se torna saturado de luz feia muito rapidamente. Na segunda foto, eu tentei capturar um pouco da beleza da pouca luz direta que ainda acertava a montanha, mas mesmo assim ficou uma foto muito sem graça.

Erro número 4: não ter um segundo corpo

Falta de dinheiro não é um erro.

Namorada

Teria sido ideal ter um segundo corpo com uma outra lente pronto para a ação e para distribuir o uso da bateria.

Alce todo branco fosse assim – Nikon D850, AF-Nikkor 50mm f/1.8D, 1/100, f/5.6, ISO 100, compensação -0.7
Recorte 100% do Alce

Teria sido uma ótima foto, não teria?

Acerto número 1: entender o fotômetro da câmara

Repararam que as fotos acima todas estão com compensação de exposição negativa? É de propósito. Reparei logo que a câmara tem a tendência de querer ajustar a exposição para as áreas de sombra nas montanhas, fazendo a foto estourar.

Trilha para Mordor – Nikon D850, AF-Nikkor 50mm f/1.8D, 1/250, f/7.1, compensação -0.7, ISO 64

Acerto número 2: viajar leve

Uma imagem vale mais que mil palavras:

Você não quer subir 85 graus de inclinação com 10kg de equipamento nas costas – iPhone Xr

Acerto número 3: conhecer a câmara e configurá-la corretamente

Eu levei apenas 30 minutos para editar todas as fotos da viagem. Na maioria dos casos, apenas um corte leve ou conversão para preto-e-branco.

Rio de Mordor – Nikon D850, AF-Nikkor 50mm f/1.8D, 1/100, f/5.6, ISO 90, compensação -0.7

Acerto número 4: levar uma lente e uma câmara só

Tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim. Com uma lente simples e apenas uma câmara, eu já tinha na cabeça as composições que queria antes mesmo de desenganchar a câmara. A pressa dos meus companheiros de viagem e a simplicidade do meu setup fez com que eu nunca levasse mais de 10 segundos para tirar uma foto.

E é isso. =)

Nos próximos posts, o diário da viagem e a avaliação do meu suporte da Peak Design depois de dois anos de uso (e muita porrada). Um abraço e até breve!

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