Sua câmara não importa.

Sua câmara não importa. Ela não tira fotos. Quem tira fotos é você.

Ilya – Kodak Gold 200, Nikon F80, AF-D Nikkor 50mm f/1.8D, Speedlight SB-600 rebatido no teto, 1/50, f/2.8, janeiro de 2009
Iriska – Kodak Gold 200, Nikon F80, AF-D Nikkor 50mm f/1.8D, Speedlight SB-600 rebatido no teto, 1/100, f/2, início de 2009

Pode parecer clichê batido. Você provavelmente já ouviu isso milhares de vezes. Mas é a mais pura verdade. Sua câmara não importa.

Talvez sua câmara importasse há 10 ou 15 anos. O seu telefone celular tirava fotos péssimas. Uma máquina profissional digital custava milhares de dólares e filme custava dinheiro. Uma Nikon D1 tinha 4 megapixels, um sensor primitivo e a ergonomia de um paralelepípedo. Telefones celulares, quando tinham câmara, tiravam fotos que mal serviam a memória.

Inverno em Praga – Nokia E65

Fotografar com filme requeria paciência. Saiu com o filme errado no dia errado, fotos péssimas. Slides ofereciam maior definição, mas nenhuma margem de erro. Encorajar a criatividade do seu filho poderia custar bastante dinheiro. Todos precisavam olhar sempre para a câmara na hora do X. Piscou? Já era.

Hoje em dia, qualquer telefone tira fotos excelentes. Qualquer lente barata tem a óptica melhor que as mais avançadas lentes profissionais do passado (e pesam menos no bolso e na bolsa). Tirar foto não custa nada, pois a capacidade de armazenamento e processamento dos computadores aumentou muito mais rápido que o tamanho dos arquivos gerados pelas câmaras. Podemos errar, repetir, voltar no dia seguinte, corrigir no Photoshop. Não há mais desculpas para tirar uma foto ruim.

Mas, com a facilidade, veio a banalidade. Como se destacar da infinidade de fotos banais? A resposta é a atitude.

Nova York – iPhone XR, foto tirada por minha amiga Angie

Para tirar fotos das quais você venha se orgulhar, você precisa voltar às origens, assim como nossos avós faziam sempre que se prepararam para fotografar: observar a origem da luz e o contraste das sombras, observar o enquadramento, ajustar a abertura, focalizar, respirar devagar e ativar o obturador com carinho para não balançar a câmara.

Para tirar boas fotos, você precisa buscar a escassez em meio a fartura. Force-se a tirar menos fotos, estudando o lugar e as pessoas, melhorando a qualidade geral das suas fotos. Caso contrário, as suas fotos boas no meio de milhares de fotos ruins terão sido questão de sorte.

Pôr-do-sol em Brasília – Nikon D40, AF-S DX Zoom-Nikkor 18-55mm f/3.5-5.6, ISO 200, 32mm, f/4.5, 1/160, Abril de 2008
Ilha Suommelinna, Finlândia – Nikon D40, AF-S DX Zoom-Nikkor 18-55mm f/3.5-5.6, ISO 200, 18mm, f/8, 1/250, Julho de 2007
Primo – Nikon D40, AF Nikkor 50mm f/1.8D, ISO 400, f/2.5, 1/320, foco manual, Dezembro de 2007
Cão – Nikon D90, AF Nikkor 50mm f/1.8D, ISO 200, f/1.8, 1/80, flash Speedlight SB-900

A melhor câmara é a que está com você a todo momento. Treine a sua atenção e os seus olhos para observar o mundo sempre por meio de sua lente imaginária. Levante cedo e durma tarde se necessário: as melhores luzes não esperam por você. Registre a beleza de seus amigos e parentes. Imagine o mundo preto-e-branco de alto contraste. Imagine o mundo colorido super saturado. Congele o movimento rápido e registre o movimento das árvores e dos rios. Deixe a sua câmara ser sua melhor amiga e só a abandone por outra quando ela não for capaz de capturar a sua imaginação.

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