Primeiras impressões – Nikon F6

Desejar algo por mais de 15 anos e finalmente tê-lo nas mãos pode ser um dos momentos mais empolgantes ou frustrantes de uma vida. Como foi o meu primeiro encontro?

Copyright 2024 Saulo Paiva – Nikon D850, compensação de exposição -1 ⅓, 1/200, f/2.8, AF DC-Nikkor 135 f/2D, ISO 4000, apoiado na mesa, convertida para preto-e-branco com o NX Studio

Primeiro, a felicidade em ver que a descrição feita pelo vendedor é real: a câmara parece nova. Todas as borrachas do corpo foram trocadas e não há poeira em canto algum. E o vendedor mandou a máquina com pilhas!

Passei alguns minutos configurando a máquina. Ela tem os mesmos grupos de ajustes que todas as DSLR profissionais, então foi fácil configurar os botões a meu gosto.

Depois corri para a loja de fotografia local, antes que fechassem, e comprei dois rolos de Streetpan 400. Será o filme do sacrifício: primeiro rolo para determinar se a câmara está funcionando bem e para ver como ele reage à medição padrão da F6. Passei algumas horas caminhando tirando fotos e tentando encontrar situações de alto contraste, diferentes distâncias, pôr-do-sol e começo da noite.

Copyright 2024 Saulo Paiva – Nikon D850, compensação de exposição -2 ⅔, 1/250, f/2.8, AF DC-Nikkor 135 f/2D, JPEG comprimido demais destruiu a foto.

A F6 deu um nó na minha cabeça. Ela tem uma tela de LCD chamativa atrás e, de vez em quando, esquecia que não tem como ver a foto antes de revelar o filme! Os controles estão praticamente no mesmo lugar que a D850, fora as poucas mudanças introduzidas pela Nikon com a D4: configuração do sistema de foco via botão + rodinha de controle no lugar dos controles diretos via alavanca.

Precisei me manter consciente do fato de não estar usando uma máquina digital e não tirar fotos aleatoriamente e lembrar de sempre parar, me equilibrar e prender a respiração para aumentar a chance de tirar fotos nítidas.

Mas nem tudo foram flores. A direção da indicação da compensação de exposição na D850 pode ser invertida do padrão tradicional da Nikon para o mais matematicamente habitual “negativo para a esquerda, positivo para a direita”.

Amostra do manual da Nikon D850 Copyright Nikon Corporation.

Observem o indicador de compensação da exposição (24). Ele é marcado positivo para os dois lados e é possível inverter a direção conforme desejado. Não achei opção para inverter o indicador da F6 e ele segue o modelo tradicional, que é baseado na direção do anel de abertura das lentes manuais da Nikon: girar o anel no sentido anti-horário aumenta a abertura da lente e, consequentemente, a exposição. Então a rodinha de ajuste da exposição também aumenta a exposição no sentido anti-horário (da direita para a esquerda).

Lembrem-se: leiam o manual! Ter lido o manual antes salvou várias fotos da destruição completa!

Copyright 2024 Saulo Paiva – Nikon D850, compensação de exposição -1 ⅓, 1/200, f/2.8, AF DC-Nikkor 135 f/2D, ISO 4000, apoiado na mesa, convertida para preto-e-branco com o NX Studio

A minha noite com a F6 foi uma viagem com o DeLorean para tempos que os anos não trazem mais: a qualidade da construção é impecável. Tanto o símbolo F6 quanto alguns controles na parte de trás têm a legenda gravada no corpo da câmara, e a gravação é preenchida com tinta. Os controles são suaves e precisos. Todas as peças se encaixam perfeitamente. O visor é enorme, claro. Não se ouve a passagem do filme. O obturador clica com um som grave e discreto.

A F6 é um perigo para a carteira. Dá vontade de tirar foto o dia todo. E a noite é livre. Nada de copiar fotos para o computador e ter que resistir à tentação de editá-las imediatamente: câmara na bolsa e pronto! E depois? Fotos no scanner e pronto! Os filmes já te dão a tonalidade desejada. Não há nada mais o que fazer.

Até a próxima!

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